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Investigadores em Portugal recebem financiamento do Conselho Europeu de Investigação

Setembro 10, 2018

Cláudio Franco (Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, iMM), Isabel Ferreira (Faculdade de Ciência e Tecnologias da Universidade NOVA de Lisboa, FCT-UNL) e Rui Costa (Fundação Champalimaud, CF), são os três galardoados em Portugal com financiamento “Prova de Conceito” (Proof of Concept) do Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, ERC), cada no valor de 150 000 €. Estes financiamentos visam apoiar o potencial comercial dos resultados de investigação financiados pelo ERC.

Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, iMM

Cláudio Franco, investigador principal do iMM, obteve em 2015 uma bolsa “Starting” do ERC no valor de 1,5 milhões € para estudar os mecanismos que permitem a formação dos padrões hierárquicos característicos da rede de vasos sanguíneos. Este conhecimento é fundamental no melhoramento da intervenção terapêutica em patologias onde ocorre uma formação excessiva e desorganizada de vasos, como acontece em cancro ou em retinopatias. “Em várias patologias, células em condições de hipóxia produzem e libertam de forma descontrolada o fator fundamental para o crescimento dos vasos sanguíneos, chamado de VEGF, promovendo o crescimento excessivo e desordenado dos vasos. A maioria das terapias existentes visam bloquear o VEGF que foi libertado”, explica Cláudio Franco. 

No entanto, estas terapias têm demonstrado vários efeitos secundários graves que afetam os sistemas cardiovascular, digestivo e renal, limitando também a cicatrização de feridas e regeneração de tecidos. Três anos depois, o grupo liderado por Cláudio Franco propõe trabalhar um sistema inovador que permitirá identificar uma nova classe de inibidores de VEGF. “Nós criámos um ensaio único que permite monitorizar a libertação do VEGF pelas células produtoras. Vamos usar este sistema para identificar novas drogas que previnam a libertação excessiva de VEGF pelas células malignas, o quer permitirá atuar numa fase anterior às terapias atualmente existentes”, refere Cláudio Franco.

Sobre a importância deste financiamento, o investigador do iMM afirma: “Este financiamento "Prova de Conceito" vai financiar a primeira etapa do processo que visa criar um novo fármaco, o qual prevemos que seja mais eficaz que as terapias existentes. Se formos bem sucedidos, os resultados deste projeto formarão a base para atrair mais investimento de modo a conseguirmos criar uma empresa que disponibilize esta nova terapia para todos os pacientes”.

 

Faculdade de Ciência e Tecnologias da Universidade NOVA de Lisboa, FCT-UNL

Isabel Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (FCT NOVA), volta a obter uma bolsa de financiamento do ERC, depois de, em 2015, a Comissão Europeia ter dado luz verde ao projeto CapTherPV.

A investigação visa o desenvolvimento de uma nova geração de baterias inofensivas para o ambiente e de baixo de custo.

Atualmente, as baterias eficientes dependem principalmente de eletrólitos líquidos (substâncias que podem produzir soluções eletricamente condutivas) e de lítio. Isabel Ferreira e a equipa com quem trabalha desenvolveram um novo eletrólito sólido para substituir os líquidos. Contém celulose, alumínio e iões selecionados e é feito de forma simples e económica. Estes materiais são mais abundantes na natureza do que o lítio, são inofensivos para o meio ambiente e podem ser reciclados através de processos convencionais. As novas baterias apresentam custos reduzidos, sendo acessíveis aos países em desenvolvimento e às comunidades menos afluentes, têm uma vida útil mais longa e são mais leves e de menor dimensão do que as atuais baterias fabricadas à base de lítio.

“Este financiamento é específico para estudar a viabilidade de comercialização do eletrólito desenvolvido no âmbito da ERC ganha em 2015, já que tem ainda de ser testado para definir os aspetos de durabilidade, reprodutibilidade em larga escala e características técnicas avaliadas por institutos certificados”, explica Isabel Ferreira. Segundo a investigadora, este financiamento “dignifica a Universidade NOVA de Lisboa, contribuindo para que a investigação realizada na NOVA seja aplicada em produtos comerciais”.

 

Fundação Champalimaud, CF

A equipa do Centro Champalimaud irá usar este financiamento para desenvolver o protótipo de um novo sistema “vestível” de análise comportamental destinado à clínica e à investigação. Graças a sensores semelhantes aos que são utilizados nos telemóveis para detectar os movimentos, o dispositivo deverá permitir medir, automaticamente e com precisão e rigor, o comportamento humano associado a perturbações do sistema nervoso.

O projecto será liderado pelo neurocientista Rui Costa e gerido pelo psiquiatra Joaquim Alves da Silva. A equipa inclui ainda Vítor Paixão, físico e especialista da análise de dados; Cristina Alcácer e o residente de neurologia Marcelo Mendonça, especialistas em modelos animais da doença de Parkinson; e o grupo de desenvolvimento de hardware científico do Centro Champalimaud.

O objectivo deste projecto de 18 meses é desenvolver uma nova geração de sensores mais pequenos, leves e eficientes em termos energéticos do que os actuais, bem como hardware e software de análise comportamental mais versáteis. O derradeiro objectivo da equipa é produzir e comercializar o seu sistema sob a forma de um dispositivo “véstível” (wearable em inglês), que poderá ser utilizado na clínica – donde o seu nome, WEAR – para obter informação que não pode ser recolhida através da simples observação médica de um doente. Como os sensores serão miniaturizados, vários sensores poderão ser aplicados ao mesmo tempo em diversas partes do corpo, podendo ainda ser utilizados em modelos animais para desenvolver novos medicamentos.

 

Pela ocasião do anúncio, o Comissário Carlos Moedas, responsável pela Investigação, Ciência e Inovação e pelo programa Horizonte 2020, disse: «Os financiamentos de "Prova de Conceito" do ERC desempenham um papel decisivo ao ajudar muitos beneficiários do ERC a criarem o seu próprio negócio, criarem postos de trabalhos e comercializarem as suas ideias inovadoras que mudam o quotidiano dos cidadãos europeus. É também com grande satisfação que vejo mais quatro beneficiários portugueses: três subvenções vão para portugueses em instituições de investigação em território nacional, e outra para um investigador português a trabalhar no estrangeiro».

Nesta ronda de financiamento foram destacados 50 projetos de um total de 130 propostas de toda a Europa. 

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