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Posição e movimento dos núcleos do músculo desempenham um papel fundamental em doenças e lesões musculares

Setembro 11, 2017

Um grupo de investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) Lisboa descobriu vários aspetos da maquinaria molecular importantes para as células dos músculos, abrindo assim a porta a novas terapias para o tratamento de miopatias e distrofias musculares. 

Existem várias doenças do sistema muscular que afetam a sociedade em geral, tais como Duchenne, lesões praticadas por desporto e a perda degenerativa da massa muscular como resultado do envelhecimento. Estudos preveem que até ao ano 2050 a população mundial com mais de 60 anos de idade vai duplicar, cerca de 2 bilhões de pessoas, o que irá aumentar proporcionalmente o número de pessoas afetadas por doenças musculares. Os problemas musculares não afetam somente as camadas mais idosas, mas também as camadas mais jovens, especialmente praticantes de deporto e atletismo profissional ou de lazer.

Os estudos, feitos em colaboração com institutos em Paris, Londres e Singapura, revelaram como os núcleos se posicionam na periferia das células musculares assim como os mecanismos através dos quais estes se ligam a microtubulos, estruturas que funcionam como uma espécie de autoestradas celulares.

Há mais de três décadas que se sabe que os microtubulos estão ligados aos núcleos das células e, mais recentemente, a equipa liderada por Edgar Gomes descobriu que a posição nuclear é crucial para um correto funcionamento das células musculares. No entanto, até hoje não se sabia como esta ligação ocorria.  Identificar diferentes proteínas e moléculas envolvidas nestes mecanismos é extremamente importante na descoberta de potenciais alvos para terapias bem como para serem usados como ferramentas de diagnóstico.

“Foi muito satisfatório resolver um mistério que durou mais de 30 anos após as descobertas iniciais do cientista Michel Bornens de que os microtubulos estariam ligados ao núcleo nas fibras musculares,” disse Edgar Gomes.

Num dos estudos publicado na revista Current Biology, a equipa descobriu que uma proteína especifica, chamada Nesprina, é fundamental para esta ligação e em alguns doentes com doenças musculares se encontra alterada. 

Em paralelo, noutro estudo também liderado por Edgar Gomes e publicado na revista Nature Cell Biology, a equipa descobriu como os núcleos de células musculares se posicionam na periferia da célula, um aspeto estrutural fundamental para o bom funcionamento dos nossos músculos e cuja desregulação está associada a várias doenças musculares e lesões desportivas. 

“Foi fascinante observar pela primeira vez como os núcleos estão posicionados na periferia das fibras musculares. Nós esperamos que esta descoberta leve ao desenvolvimento de novos tratamentos para diferentes doenças musculares e também para lesões desportivas,” concluiu Edgar Gomes.

Estudar o funcionamento do músculo é assim fulcral para vários sectores da população. Estes estudos podem vir a ter aplicações diretas na qualidade de vida das pessoas, promovendo melhor ferramentas diagnósticos, tempos de recuperação mais rápidos e até quem sabe curas que até agora não seriam possíveis. 

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