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Cientistas descobrem possível calcanhar de Aquiles do parasita da Malária

Novembro 6, 2017

Uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular identificou um mecanismo de defesa do parasita da Malaria que lhe permite sobreviver dentro das células do fígado do hospedeiro, uma passagem obrigatória em que o parasita adquire a capacidade de infetar glóbulos vermelhos e assim causar os sintomas característicos desta doença.

 

O parasita causador da malária Plasmodium replica-se dentro das células do fígado do seu hospedeiro envolvido por uma membrana que o protege contra ameaças presentes no ambiente intracelular, nomeadamente a autofagia, um processo em que as células degradam materiais que não precisam e que é acionado após a infeção por Plasmodium. Este processo está dependente de uma proteína chamada LC3.

 

Apesar de a autofagia ser acionada pelas células do hospedeiro após infeção, e ao contrário do que se verifica com outros agentes patogénicos mais suscetíveis, o parasita da malária é resistente a este mecanismo de defesa celular.

 

A equipa, liderada por Maria Mota, descobriu agora o calcanhar de Aquiles deste parasita: uma proteína chamada UIS3 que se liga à proteína LC3 e forma uma espécie de escudo protetor contra a autofagia. Sem esta proteção, o parasita fica vulnerável e é rapidamente eliminado pela célula do hospedeiro.

 

O estudo, agora publicado na revista Nature Microbiology, demonstrou que sem a proteína UIS3 o parasita não é capaz de sobreviver dentro de células do fígado de ratinhos normais. No entanto, recupera a sua capacidade infeciosa se a autofagia do hospedeiro se encontrar comprometida.

 

Esta descoberta identifica a proteína UIS3 como um possível alvo para o desenvolvimento de novos fármacos contra o parasita da malária, nomeadamente contra as formas hepáticas da doença, que em algumas espécies de Plasmodium podem persistir no hospedeiro num estado dormente e causar doença anos depois da primeira infeção.

 

Identificar novos alvos terapêuticos é particularmente relevante numa altura em que se começa a registar, no sudoeste Asiático, a ocorrência de parasitas resistentes aos fármacos disponíveis.

 

No futuro, a equipa espera identificar compostos que atuem no parasita de forma a manipular a sua capacidade de inibir a autofagia e testar a sua eficácia como tratamento contra a malária.

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