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Cientistas Portugueses recebem financiamento internacional para estudar doença em gado que atrasa o desenvolvimento de África

Setembro 12, 2017

Cientistas do Instituto de Medicina Molecular (iMM) Lisboa, juntamente com outras equipas de investigação internacionais, preparam-se para iniciar um projecto de 2.2 milhões de euros que visa perceber como um parasita que infecta gado se pode tornar numa séria ameaça económica na África subsahariana.

Este grupo internacional de investigadores vai estudar como os parasitas do tipo tripanosoma - que se transmitem através da picada da mosca tsetse - provocam infecções prolongadas em gado. A doença é conhecida localmente como nagana, um termo derivado da palavra Zulu para “inútil”, e que espelha o impacto que esta infecção tem nos animais afetados. Em humanos, os parasitas equivalentes são responsáveis pela doença do sono.

O estudo baseia-se em mais de 40 anos de investigação e foca-se nas duas espécies mais prevalentes do parasita responsável por nagana em gado - Trypanosoma congolense e Trypanosoma vivax. 

Os parasitas que resultam na doença do sono são conhecidos como os mestres do disfarce: uma vez na corrente sanguínea conseguem alterar as proteínas na sua superfície, evitando assim o reconhecimento e eliminação pelo sistema imunitário. 

Os investigadores querem perceber qual o mecanismo de funcionamento do parasita em cenários reais comparativamente com aquele observado em laboratório, para assim desenvolver no futuro novas estratégias para a prevenção e tratamento da doença.

Cientistas das universidades de Edimburgo, Glasgow, Heidelberg e Baltimore vão colaborar com equipa do iMM, liderada pela investigadora Luísa Figueiredo, para tentar descobrir como é que estes parasitas estabelecem infecções crónicas e conseguem escapar ao sistema imunitário. O projeto é financiado pelo prestigiado Wellcome Trust, uma instituição privada do Reino Unido que financia investigação científica para melhorar a saúde de pessoas e animais. 

“A nagana é uma doença de gado que contribui enormemente para a pobreza em África. Esta equipa de investigadores traz competências complementares, que irá permitir encontrar vulnerabilidades dos parasitas passíveis de serem usadas em estratégias de tratamento futuras” disse Luísa Figueiredo, responsável pelo laboratório de Biologia do Parasitismo no iMM Lisboa.

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